Dia do índio: muito a comemorar em Paragominas

Você sabia que a tapioca, que é tão consumida hoje e que muitos a usam como substituta do pão por ser mais saudável, é uma comida genuinamente indígena? Aquela rede, que muitos armam em quartos, varandas e sacadas também traz um traço do costume indígena. Exemplos que mostram o quão a cultura dos primeiros habitantes do Brasil estão arraigados no nosso dia-a-dia, mas que muitos nem conhecem. É por isso que terminamos esse primeiro parágrafo com uma pergunta: quantas etnias você acha que existe em Paragominas? Pense aí que a resposta vai estar no final da matéria! 

O dia 19 de abril foi instituído em 1943, por um decreto do então Presidente Getúlio Vargas, como um reconhecimento à população indígena brasileira. De lá pra cá, muita coisa mudou e, um dia que era para ser comemorativo, em muitos Estados do Brasil, é marcado por protestos. Em Paragominas, as ações voltadas para os índios são reconhecidas pelo Ministério Público Federal como modelo, por atender as expectativas da população presente no município. 

Os registros atuais mostram a presença de 32 povos no território paraense, com aproximadamente 16 mil índios. A maioria desses grupos fala línguas de três troncos distintos: Macro-jê, Tupi e Karib. São 39 terras indígenas oficialmente reconhecidas, que representam 24,52% da área total do Estado. 

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Paragominas, foi na década de 90 que o contato com os povos presentes aqui em nossa região passou a ser estreitado e começou-se um levantamento da situação de algumas áreas ocupadas, chegando a conclusão de que era necessário um trabalho pedagógico com aqueles povos. À época, três escolas foram fundadas: Maria Francisca Tembé, Teko-Haw e Canindé. Hoje, já somam-se seis escolas, que são localizadas distantes da cidade de Paragominas, cerca de 120 km a 270 km. 

Em 2015 aconteceu pela primeira vez um processo seletivo voltado exclusivamente para candidatos indígenas da turma Tembé/Cajueiro, o curso é de licenciatura intercultural indígena ministrado pela Uepa. A duração é de quatro anos, sendo dois voltados para formação geral e dois direcionados à formação específica em três grandes áreas: Ciências Humanas e Sociais; Ciências da Natureza e Matemática e Linguagem das Artes. Além disso, o período letivo alia experiências na aldeia e na universidade, com aulas no território indígena e outras atividades acadêmicas no campus da Uepa aqui em Paragominas. O objetivo é elevar a autoestima e fortalecer a cultura das populações indígenas. 

E quem lembra aí da Olimpíada Verde que aconteceu aqui em Paragominas em 2009? Na ocasião a arena do Parque Ambiental recebeu mais de 1.300 indígenas de todo o país, além de aborígenes do Canadá, da Austrália e da Guiana Francesa. Foram mais de 50 mil pessoas que passaram por aqui nos oito dias de jogos, onde os índios puderam mostrar aos visitantes, atividades como lutas corporais, corrida de tora, zarabatana, entre outras. 

Hum... você deve estar achando que não vamos responder a pergunta do primeiro parágrafo, não é? Vamos sim! 

Paragominas possui duas etnias indígenas: a Tembé, que significa “gente verdadeira, que no Estado do Pará, estão subdivididos em três grupos: Tembé Turiwara, Tembé do Alto Rio Guamá e os Tembés do Gurupi e localizam-se nos Municípios de: Santa Luzia do Pará, Nova Esperança do Piriá, Paragominas e Ourém. Tem também os Amanayé, também conhecidos como Amanagé, Amanaié, Araradeuá ou Manaié que significa “associação de pessoas”, e falam uma língua da família Tupi-Guarani, do tronco Tupi.

Agora você está por dentro da história, ações e das etnias que temos aqui em nosso município.