Projeto da Ferrovia Paraense é apresentado

Com um auditório lotado e olhos atentos aos detalhes deste, que já é considerado um dos maiores projetos do Governo do Estado para os próximos anos, produtores, comerciantes, políticos e comunidade de Paragominas puderam conhecer o Projeto da Ferrovia Paraense. É que uma audiência pública foi realizada na noite de sexta-feira, dia 18, no auditório Inocêncio Oliveira, do Parque de Exposições Amílcar Tocantins.

Quem conduziu a audiência foi o Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (SEDEME), também ex-Prefeito de Paragominas, Adnan Demachki. O Projeto Ferroviário Paraense foi apresentado em detalhes por Demachki, que explicou todas as etapas e os avanços conquistados nos últimos meses. O público fez uma série de perguntas sobre o andamento do projeto e quis saber também sobre possíveis barreiras, como a geração de emprego para a mão de obra local, e jurídica no trajeto da Ferrovia Paraense.

Pessoas de Redenção, Ulianópolis, Dom Eliseu também engrossaram o público presente, fazendo o auditório ficar pequeno para tanta gente. Curiosidades à parte, o fato é que a Ferrovia Paraense já está saindo do papel e caminhando a passos largos. “Esse projeto é a estratégia correta de integração do Estado para que se possa produzir com menor custo, enfrentando o que se chama de custo amazônico, e nos colocar competitivo numa economia global’’, frisou o governador Simão Jatene.

Com o traçado da ferrovia passando por Paragominas, é garantia de mais desenvolvimento para a cidade, é o que afirma o Prefeito Paulo Tocantins. Para ele, o município ganha mais um modal de transporte e que vai fortalecer a mineração, bem como a agricultura, tão forte no município. “Com a ferrovia passando por Paragominas, além de atender a mineradora, atende nossos produtores, como também atrai outros e novos empreendimentos. Teremos mais uma opção para escoar nossos produtos, tornando-nos mais competitivos à outros mercados”, afirma Tocantins.

Durante a audiência, o Governo do Estado, por meio da Sedeme, firmou um Termo de Compromisso com a empresa norueguesa Norsk Hydro, estabelecendo todas as condições referentes à contratação de carga do grupo num volume de 5 milhões de toneladas/ano. Este compromisso envolve precisamente a Mineração Paragominas S.A (MPSA), uma das empresas da Hydro.

“A logística tem sido um foco antigo do setor produtivo no Pará, nós estamos acompanhando cada passo que tem sido dado na condução desse projeto, seja a busca pela viabilidade de cargas, reivindicações junto ao governo federal, o esforço junto a investidores, o cuidado com o licenciamento ambiental. Então, estamos com ótima perspectiva’’, frisou o presidente da Federação da Industrias do Estado do Pará (Fiepa), José Conrado.

A Ferrovia

A Ferrovia Paraense cortará o estado de sul a norte em 1.312 quilômetros, conectando-se com a Ferrovia Norte-Sul, permitindo que esta chegue até o Porto de Barcarena, que no Brasil é o mais próximo dos grandes mercados consumidores, como China, Europa e Estados Unidos.


O custo do projeto é estimado em R$ 14 bilhões, considerando investimentos na construção da própria ferrovia e de entrepostos de carga. O licenciamento ambiental está sendo conduzido por órgãos estaduais, com chance de o vencedor do certame assinar o contrato de concessão já com a licença em mãos.
A interligação da Ferrovia Paraense com a Norte-Sul, num trajeto de apenas 58 quilômetros entre Rondon do Pará e Açailândia (MA) - trecho final da Norte-Sul - abre caminho para uma nova alternativa de escoamento de carga em um porto paraense, e é um dos atrativos do projeto para a iniciativa privada. A Ferrovia Paraense cruzará 23 municípios do estado e terá capacidade de carga de até 170 milhões de toneladas/ano.